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Suelly Cadillac
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SUELLY CADILLAC




Suelly CadilacÍamos à procura de Raul Oliveira, mas quando às duas da manhã chegámos ao bar La Calle, em Alcântara, ele tinha desaparecido. Era já uma mulher, tinha-se transformado em Suelly Cadillac. E foi, portanto, com ela que falámos, ali mesmo ao lado da porta de entrada, num minúsculo camarim. Com a sombra, a base e o batom de um lado para o outro, Suelly Cadillac explicou onde foi arranjar o nome artístico mais famoso das redondezas e fez o relato da história de Raul. "Como transformista acho que não me falta fazer nada. Entrei em telenovelas e programas de televisão, dei entrevistas, passei por muitas casas. Acho que sou um artista muito completo", resume. Nascido em Lisboa há 43 anos, fez-se travesti aos 20, quando era técnico de informática nos antigos CTT-TLP. Havia um grupo de teatro amador na empresa e Raul, que tinha estudado no Conservatório, participava nas peças vestido de mulher. Aí conheceu Dollphoenix (Sérgio Alves), um travesti famoso na época – "foi a minha madrinha-padrinho".




Suelly CadillacAtravés de Dollphoenix chegou à desaparecida Lydia Barloff (José Manuel Rosado), um dos maiores nomes do transformismo. E assim começou a trabalhar na noite, sempre com outro emprego principal. "Todo o homem tem a sua parte feminina e há que libertá-la de forma saudável", justifica. Estreou-se no Trumps, no espectáculo Brilhas Tu ou Estrelo Eu, ao lado de Lydia Barloff, Ruth Bryden (Joaquim Centúrio de Almeida, já falecido) e Cindy Scrash (João Bastardinho, hoje no Finalmente), entre outros. Esteve aí cerca de dois anos. Depois andou por tudo quanto que era Lisboa: Memorial, Satyros, Black Tie. E também na Margem Sul, no Mister Green, actual Mister Gay. Suelly Cadillac tem bem noção da fama do seu nome. Mesmo quem nunca assistiu a espectáculos de travestis sabe-o de cor, mas ela não tem explicação para isso. Só sabe dizer o porquê do baptismo.


Suelly CadilacSuelly Cadillac tem bem noção da fama do seu nome. Mesmo quem nunca assistiu a espectáculos de travestis sabe-o de cor, mas ela não tem explicação para isso. Só sabe dizer o porquê do baptismo. O responsável foi Sérgio Alves, que dizia que as pernas de Raul pareciam a parte da frente de um Cadillac. Suelly era o nome da empregada de limpeza que Alves tinha na altura. "'O teu nome há-de ser Suelly Cadillac', disse-me ele. Assim ficou e há-de ser até ao último dia. Por acaso acho o Cadillac um carro fantástico e também acho que tenho umas pernas fantásticas".


Suelly CadilacMais de duas décadas depois, Raul, que hoje é cabeleireiro na Lúcia Piloto, continua fascinado com o que faz. Está no La Calle (Tv. da Trabuqueta, 35) há dois anos e actua aos sábados por volta das três da manhã, acompanhado por Betty Santos, um drag king (mulher que se traveste). Também aos sábados, às duas da manhã, está no Shakra Bar, em Setúbal (R. da Saúde, 32).
Podemos vê-la em Fafá de Belém, Isabel Pantoja ou Céline Dion. Ela não é esquisita. "A Suelly Cadillac é uma mulher e é essa mulher que aparece em palco para dar vida às cantoras que a fascinam".




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