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SAMANTHA ROX





No ano em que completa 20 anos de carreira como Samantha Rox, Marco Ferreira faz um balanço muito positivo da sua carreira. Reconhece que não teve "uma má carreira podia ter sido melhor, mas se calhar os tempos eram outros e por vezes não tive oportunidade de ir mais além".Dono dos olhos mais marcantes e encantadores do transformismo nacional este artista marca pela diferença, profissionalismo e bom gosto.


Samantha RoxTudo começou numa casa que frequentava aos fins-de-semana, em Cascais, e onde havia espectáculos de transformismo. Lá conheceu as pessoas ligadas a esse mundo. Na época como estavam à procura de novas pessoas, foi-lhe sugerido que experimenta-se os palcos, convite que aceitou e estreou-se com um número da Bonnie Tyler, para nunca mais parar. Nessa casa trabalhava semanalmente, até que descobriu a noite de Lisboa e contactou com casas como o Finalmente, o Alcazar e o Drop's. Como tantos outros iniciou-se no, ainda actual, 'Lugar aos Novos', deu os primeiros passos e começou a trabalhar no Alcazar, diariamente, tendo optado depois por ficar no Finalmente, até hoje. Começar uma profissão que na década de 80 era vista com maus olhos, não foi tarefa fácil e por isso Marco Ferreira reconhece que "o primeiro impacto é sempre assustador, porque não estava habituado a nada disto, mas depois comecei a conhecer as pessoas, como é que elas são. Na época as pessoas eram muito exigentes, nunca estava nada bem, tínhamos de provar sempre mais e darmos sempre mais, porque nunca era o suficiente".

Entre nomes como Lydia Barloff, Belle Dominique e Guida Scarlaty, Samantha Rox trabalhou praticamente 10 anos seguidos, com Ruth Bryden. Um trabalho que considera ter sido "bom, porque era uma grande profissional naquela altura, foi considerado o ícone do travesti nacional, por isso foi um trabalho muito gratificante, na medida em que uma pessoa como eu que não sabia nada de travesti, foi percebendo e entendendo certas coisas. Com a Ruth só tive a ganhar, porque de tudo aquilo que ela me ensinou ficou cá alguma coisa, que hoje vou transmitindo aos que começam agora", revela Samantha. É impossível falar de Samantha Rox sem falar do Finalmente Club, onde trabalha à já 18 anos. Mas o Finalmente, ou Finas como é também conhecido, não foi a única casa onde trabalhou, mas foi a única pela qual se apaixonou. "Até hoje não houve uma casa que me desse as condições que o Finalmente me deu, foram poucas é verdade, mas deu, porque é uma casa que trabalha todos os dias, é uma casa na qual somos obrigados a contactar com o público, diariamente, além de ser o local onde eu aprendi a maioria das coisas que sei a nível de travesti e é como eu costumo dizer às pessoas a Samantha Rox existe por causa do Finalmente", confessa Marco Ferreira.

Samantha RoxQuestionado sobre a reacção dos pais ao facto de fazer travesti, Marco Ferreira preferiu não falar muito sobre o assunto, apenas confessou que "foi muito, muito complicado". Ainda assim Marco sente-se, agora, mais satisfeito ao ver que a mãe "em 20 anos mudou muito a sua opinião sobre o travesti, porque ela era uma mulher muito conservadora, mas hoje em dia tenho uma mãe fora de série, muito devido à forma como eu a eduquei em relação à minha profissão. E nos dias de hoje ela já percebe que este é o meu trabalho, conforme o médico é médico e assiste aos meus espectáculos, apoia-me em tudo o que eu preciso, ou seja, tenho hoje uma relação completamente diferente daquela que tinha à 20 anos atrás". Manhãs é coisa que este artista mal conhece, acorda sempre por volta das 4 da tarde e vai, inevitavelmente, beber o seu café e conversar com os amigos, quando não tem nada para coser ou bordar nos seus fatos de espectáculo, especialmente, feitos para si pelas mãos de João Carlos Marques (dá cá um trabalho a bordar, não é meu querido?). À noite, principalmente, às sextas, sábados e segundas-feiras é também inevitável o cafezinho que tanto apreciamos na Esplanada da Avenida da Liberdade, sempre aquela mesma hora (00h45m). E quantas vezes não apetece nada ir trabalhar e lá vamos nós cheios de garra para pintar a cara e dar alegria aqueles que muitas vezes não têm. Depois de desmaquilhado Marco deixa-se ficar, muitas vezes, pelo Finalmente porque segundo ele "quando comecei, a noite era muito melhor do que é hoje em dia, as pessoas eram muito mais afáveis, mais sinceras, mais amigas, companheiras e hoje em dia vê-se muito pouco isso. Por vezes andam cá para se prejudicarem umas às outras". "Antigamente podia-se sair à rua, entrar em várias casas, hoje não pode ser assim porque há medo de assaltos, há problemas, confusões, tiros", conclui Marco Ferreira. Mas em 20 anos não foi só a noite que mudou também a arte de fazer transformismo é outra. Samantha Rox considera que "em termos de espectáculo embora hoje em dia se aceite melhor esta profissão, somos menos valorizados". No seio do transformismo as alterações são bem visíveis e prendem-se com os novos talentos. Para Marco Ferreira os artistas que têm aparecido, ultimamente "deixam muito a desejar, porque a única coisa que têm em mente é que: 'Sou mulher, quero ser mulher e vou ser mulher' e o travesti não é isto. Para além disto há também o facto de hoje, terem menos humildade que os que começaram à uns anos atrás, por vezes quando fazemos um reparo é para que fiquem melhores e não para lhes apagar o estrelato como julgam".

Actualmente, é possível dizer-se que Samantha Rox já faz parte da mobília do Finalmente Club, onde actua com nomes bem conhecido desta área como Deborah Kristal , Jenny Larrue e Nyma. Trabalhar com Deborah Kristal não é tarefa fácil, no entanto Marco Ferreira considera Fernando Santos (Deborah Kristal) "um amigo, além de colega de profissão, é uma pessoa por quem eu tenho um carinho muito especial. Sempre que eu precisei dele ele esteve lá. Não existe ninguém como ele, nem parecido". No que diz respeito à parte profissional Samantha Rox é da mesma opinião que muitas pessoas, porque vê que "é de facto um grande artista, profissional a quem eu tiro o chapéu pela sua criatividade e pelos seus espectáculos", no entanto reconhecer que "é muito aéreo, cabeça no ar e nunca chega a horas para nada, mas é, também, isto que o faz ser como é tão diferente dos outros". Quanto ao futuro Marco Ferreira espera continuar a dar vida à Samantha Rox e concluir os ensaios, em curso, para o próximo espectáculo do Finalmente a estrear, talvez, no final deste ano.

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